• Querida Vida, saí por aí, fui dar uma volta. Quando volto não sei, pois hei de arejar a cabeça da poeira que trago dos meus dias. Aliás, espero que chova durante o passeio, para me limpar dos anseios, das dúvidas e das dívidas que me escolheram sem qualquer sorteio. Ah, deixei no criado-mudo o estresse, o choro da preocupação, e se pudesse, também o restante do coração que foi talhado na mais linda árvore, porém, na mais fraca madeira. E dessa maneira, o sentimento que é lindo, vistoso e encantador por fora, grita e sofre por dentro, parecendo criança mimada - não aceita um não, quanto mais a dor que lhe convém, da saudade que amarga aflição, que ninguém sabe curar. Por fim, eu até te diria: não me espere para o jantar, levei comigo um bocado de fé, um punhado de lenços. A pressa deixei ao léu da ventania...